14 September 2011

O bom filho à casa torna...



Uma das coisas que mais gosto de fazer na vida, depois de cozinhar, é viajar! Mas viajar, para mim, não é simplesmente pegar a estrada, conhecer um novo lugar. É ter aquele olhar de turista, que acha graça em praça com flores ou feirinha perto da igreja, que sente melhor os cheiros e sabores novos, que presta atenção ao asfalto do caminho. Coisas que, na vida apressada, passam sem ser notadas.

É um tempo "pra dentro" que tiro para mim. Aqueles segundos de suspiro profundo, só para farejar melhor o clima, aqueles minutos de observação sobre quem passa.

Semana passada, depois de mais de 25 anos sem visitar a cidade (sim, tô velhinha!), voltei para Poços de Caldas - MG. Pouca gente desconfia, mas sou mineira! Nasci, vivi poucos anos lá, a família toda é de São Paulo... e quase nem me lembro de minha mineirice, mas basta provar a primeira colherada de doce de leite, que ela salta aos olhos!

Voltei também à casa em que nasci. Queria muito levar minha filha até lá, fazia muito tempo que tinha vontade de mostrar a ela de onde eu vim, uma casa que vejo em fotos antigas e sei que era um lugar em que minha família foi muito feliz.

A rua, sem saída, guarda uma vilinha que parece congelada no tempo. As casas têm ainda a mesma cor, e aquele trecho imenso que pensava ser de uma calçada a outra é só uma ruazinha que mal circulam dois carros paralelos.

Levar minha filha até lá foi fazer uma viagem no túnel do tempo, tantas histórias, tantas casas, tantas vidas. Foi me ver de novo, correndo de um lado ao outro da rua, sem preocupações, sem estrada, sem destino.

Para ela também foi curioso, reviver os lugares turísticos da cidade, as charretinhas, o teleférico (que meu pai ajudou a construir), a pizzaria de 70 anos, os queijinhos do mercado municipal, brincar na praça em frente ao Palace Hotel... lugares em que "mamãe brincava quando tinha o meu tamanho!"

É claro que hoje em dia a cidade está muito mais moderna, diferente daquela época. Eu, entretanto, fui à cidade de 1973, e talvez por isso ela tenha uma dimensão muito particular... e essa viagem tenha sido tão bonita.

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