28 April 2010

Deh-vórcio

Agora, agorinha, entra no ar um novo blog, assinado por essa que vos fala, que pretende contar minhas desventuras como uma mulher "largada do marido" (adoro essa frase, já viram quanta ironia tem dentro dela?).

Esse blog já misturou muitas histórias, mas ele é todo (ou quase) dedicado ao amor que senti por esse mah-rido, que fez parte da minha vida nos últimos 6 anos. Com muito amor e dor envolvidos.

Por isso, inauguro o meu novo pensário, para que eu possa exorcizar meus demônios. (em outras palavras, com essa tempestade toda, blogar é o que me resta para aliviar um pouco o fardo).

O endereço? é claro que eu não poderia perder a auto-piada: é deh-vorciada! :)
(antes que alguém ria de mim, eu já antecipo a gargalhada).

Até lá! :)

23 April 2010

Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem.

Mais do que nunca, sei que estou vestida com as roupas e as armas de Jorge.

... Nem em pensamento, eles vão me fazer mal.


18 April 2010

O começo do fim.

Eu não sei se vocês souberam... Mas fato é que eu e o Marcello nos separamos, nosso casamento terminou.

Muita dor envolvida, muita coisa ainda a resolver, todas as pendências de uma vida, todos os planos a serem refeitos.

Não era o que eu tinha planejado, quando ainda acreditava que nossa história era um seriado de sucesso. E foi. Mas como todo seriado, uma hora termina. Ainda que deixe saudades, ainda que sobre um montão de mágoas, sobre as quais nem tenho mais forças para chorar. Ou falar.

E, coincidência ou não, essa semana, ao empacotar nossos espólios, me dei conta que a imagem do Santo Antonio da nossa estante tinha perdido a cabeça. Literalmente. A cabeça do santo saltou do pescoço, sem ninguém tê-lo tocado, sem explicação. Ou talvez, com muita explicação.

Talvez até o Santo cansou de pensar sobre nosso fim. (pausa para rirmos para não chorar). "That's all folks!"

O que fica, de tudo que foi bom nessa história, é nossa filha linda, que existirá sempre por uma boa razão, por um belo motivo, por toda a esperança que houver no mundo, por todo amor que um dia nos uniu.

Fica, de nós, o melhor. O pior, eu prefiro não lembrar mais. Se eu pudesse, arrancaria a cabeça tal qual o Santo aqui de casa. Talvez fosse uma boa maneira para fazer parar de doer.

11 April 2010

"Nada acaba bem".

Nesses últimos dias difíceis, talvez tenha sido essa a frase que mais fez sentido, que mais fechou os pensamentos, que mais amarrou o roteiro desse filme. De terror.

Eu sei que o amargor na boca vai passar, que as lágrimas vão se esgotar, que a raiva vai arrefecer, que as pessoas vão se cansar de me ouvir, que a verdade vai parar de doer tanto, que a vida vai seguir seu rumo.

Eu sei que tenho que ser agradecida por muita coisa, que virão novas alegrias, que preciso estar inteira, cabeça erguida. Quase feliz.

Tenho tido dias difíceis, outros mais fortes, mas garanto que nenhum deles tem sido fácil. Ou melhor.

Se eu rio, é um riso desesperado e quase catártico, se eu choro, são lágrimas tão misturadas que já nem sei.

Estou tentando, ao menos, não mentir para mim mesma, deixando que essas emoções fluam, que saiam de mim, porque eu não as mereço, nunca fiz por merecê-las.

O que me consola, é que nesse turbilhão tão grande, tenho encontrado grandes amigos, que me dão grandes presentes, grandes abraços, grande apoio, grande compreensão nas minhas faltas, grande carinho. De uma forma esquisita, isso tem me feito grande também. Tão grande que nem eu me reconheço às vezes. Tão serena em alguns momentos que me estranho quando sinto vontade de sumir.

Nem sumir eu posso, ou tenho direito. Nem quero.

Quero só que tudo passe rápido, que a vida se encarregue disso logo, porque ela (a vida) já sabe que eu não sou de ficar parada para sofrer, não.

Se é que tudo que tenho vivido me serviu de algo, foi para me ensinar exatamente isso: ficar parada sofrendo é realmente plantar mais sofrimento futuro, nem sempre imediato, mas sempre sofrimento.

É hora de andar, eu sei. Só me esperem calçar os sapatos, por favor.

"Fomos donos do que hoje não há mais"...

07 April 2010

As minhas, as suas, as nossas dores...

Eu tenho andado de metrô dois dias da semana. Talvez pela solidão (ou arrogância) que um carro te dá, com o tempo, a gente para de observar pessoas. O trânsito, o rádio, a pressa sempre nos distrai do que é maior e melhor: olhar a vida.

Nessas minhas viagens de metrô, eu deixo meu tempo passar ali fazendo isso: observando vidas. E pensando na imensidão de histórias que cada um traz consigo, nas alegrias, nas dores.

Penso que tantos ali, como eu, levantam da cama todo dia, arrastando suas dores para lá ou para cá, umas mais leves, outras mais difíceis de carregar.

Mas vivos, elas vão conosco de qualquer jeito, para qualquer estação. Talvez por causa de tanto esforço, vamos nos tornando mais fortes, mais ligeiros com as dificuldades, mais espertos com os disfarces.

Do mesmo jeito que estou aprendendo a lidar com essas viagens observatórias, aprendo também - um pouco - a carregar minhas dores por aí, paraíso ou consolação?

Cada dia é um novo dia.

04 April 2010

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