Nesses últimos dias difíceis, talvez tenha sido essa a frase que mais fez sentido, que mais fechou os pensamentos, que mais amarrou o roteiro desse filme. De terror.
Eu sei que o amargor na boca vai passar, que as lágrimas vão se esgotar, que a raiva vai arrefecer, que as pessoas vão se cansar de me ouvir, que a verdade vai parar de doer tanto, que a vida vai seguir seu rumo.
Eu sei que tenho que ser agradecida por muita coisa, que virão novas alegrias, que preciso estar inteira, cabeça erguida. Quase feliz.
Tenho tido dias difíceis, outros mais fortes, mas garanto que nenhum deles tem sido fácil. Ou melhor.
Se eu rio, é um riso desesperado e quase catártico, se eu choro, são lágrimas tão misturadas que já nem sei.
Estou tentando, ao menos, não mentir para mim mesma, deixando que essas emoções fluam, que saiam de mim, porque eu não as mereço, nunca fiz por merecê-las.
O que me consola, é que nesse turbilhão tão grande, tenho encontrado grandes amigos, que me dão grandes presentes, grandes abraços, grande apoio, grande compreensão nas minhas faltas, grande carinho. De uma forma esquisita, isso tem me feito grande também. Tão grande que nem eu me reconheço às vezes. Tão serena em alguns momentos que me estranho quando sinto vontade de sumir.
Nem sumir eu posso, ou tenho direito. Nem quero.
Quero só que tudo passe rápido, que a vida se encarregue disso logo, porque ela (a vida) já sabe que eu não sou de ficar parada para sofrer, não.
Se é que tudo que tenho vivido me serviu de algo, foi para me ensinar exatamente isso: ficar parada sofrendo é realmente plantar mais sofrimento futuro, nem sempre imediato, mas sempre sofrimento.
É hora de andar, eu sei. Só me esperem calçar os sapatos, por favor.



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