Eu tenho andado de metrô dois dias da semana. Talvez pela solidão (ou arrogância) que um carro te dá, com o tempo, a gente para de observar pessoas. O trânsito, o rádio, a pressa sempre nos distrai do que é maior e melhor: olhar a vida.
Nessas minhas viagens de metrô, eu deixo meu tempo passar ali fazendo isso: observando vidas. E pensando na imensidão de histórias que cada um traz consigo, nas alegrias, nas dores.
Penso que tantos ali, como eu, levantam da cama todo dia, arrastando suas dores para lá ou para cá, umas mais leves, outras mais difíceis de carregar.
Mas vivos, elas vão conosco de qualquer jeito, para qualquer estação. Talvez por causa de tanto esforço, vamos nos tornando mais fortes, mais ligeiros com as dificuldades, mais espertos com os disfarces.
Do mesmo jeito que estou aprendendo a lidar com essas viagens observatórias, aprendo também - um pouco - a carregar minhas dores por aí, paraíso ou consolação?
Cada dia é um novo dia.



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