29 May 2009

Advocacia

Eu tenho um defeito imenso: boto a cara pra baterem.
É horrível ter quase 36 anos e não ter aprendido que no mundo é cada um por si, mas não dá, eu não consegui. Deve ser burrice.

Se eu vejo algo injusto, principalmente no que se referem aos meus, sempre vou tomar partido, sempre vou pra cima. Na jugular.

Talvez não devesse ser assim. E muito pior: não devesse esperar que os outros fossem nas jugulares daqueles que me agridem, que por sorte, não são muitos.

Acabo, por fim, militando em causa própria, tenho raros advogados, ainda que muito eficientes.

É ruim. É péssimo. Me faz me sentir a última das injustiçadas. Pior, me faz me sentir muito sozinha.

Mas já devia ter aprendido, e em vez de me sentir sozinha, eu devia era me sentir burra mesmo.

25 May 2009

Que será que fiz dessa vez?

Não dá pra dizer que o que você fez não me aborreceu. Ninguém, no mundo inteiro, gosta de ser desprezado, preterido, deletado.

Vou te dar um conselho, se é que você vai acreditar no que eu digo. Eu já estive aí onde você está agora. Já pensei que poderia te retirar da minha vida, fingir que você não existe, mas você existe. Você faz parte da minha agenda, tem vínculos com a minha família, não dá pra ignorar. Negar a sua existência é praticamente negar a minha.

Por isso que sua atitude é tradução de imaturidade.

Quando a gente definitivamente aceita e perdoa a existência até daqueles que não gostamos, damos um passo à frente da vala comum. Demonstramos bom senso. Não no sentido de sermos superiores a ninguém, mas a nós mesmos, sabe? Um passo adiante daquilo que éramos antes.

Eu já te aceitei como parte da minha vida faz tempo. Isso não significa que queira participar da sua (sei que não sou bem-vinda, você já me deu todas as dicas sobre isso), mas não posso ser sua inimiga ou rival ou qualquer nome que tenha esse sentimento hostil. É isso, não posso te tratar mal, atravessar a rua quando você estiver vindo, te negar meu aperto de mão. Simplesmente não posso, porque isso custa muito caro. Um preço que não quero (ou não posso) pagar. Isso custa desgostos alheios, situações desagradáveis e constrangedoras para quem não está dentro de mim.

O mesmo vale pra você. Sei que não sou bem-vinda, que você se incomoda com a minha presença, que raiva e desamor fazem parte da lista de sentimentos que você nutre por mim. Eu sei. Mas infelizmente você também não pode me negar, atravessar a rua, abaixar o olhar.

Não existe "ex-nós".

Acho que seria um fardo menos custoso e pesado apenas me aceitar. Entender que eu também existo. Perdoar (talvez pra você, nem precisa ser pra mim) os meus julgamentos e ironias (cada um joga com as armas que tem) e seguir em frente.

Ninguém é perfeito. Nem eu, nem você.

E o mundo ficaria mais leve se você entendesse isso e parasse de me aborrecer. Pois saiba que não sou a única que ficou sabendo da sua atitude... mas talvez seja a única que tenha entendido perfeitamente as suas razões.

23 May 2009

Foi tarde.

Tem gente que a gente manda tomarnocu e não vai.

Tem outros que a gente nem manda e eles vão sozinhos!

hohohohohoho

18 May 2009

Não tem segredo:

O que vai, um dia volta.

Em

Desde algum tempo, tenho percebido/entendido o processo das situações. Em processo. Em transformação. Em análise. Em entendimento.

Seria #mimimi demais reclamar de um "problema" que eu esteja vivendo, além, claro, da carga de trabalho que essa mula que vos fala tem carregado. Mas isso não é exatamente um problema, também.

Ouvi um dia que "não é problema se tem solução". Então, de maneira geral, não tenho problemas, porque estou sempre encontrando um jeito pras coisas.

Esse "problema" que estou vivendo também terá jeito. Tempo, o primeiro deles, que não dá pra antecipar nem apressar. É deixar transcorrer - o que eu, ansiosa crônica, sofro por não entender tão bem o conceito. Tempo, paciência.

Estou durante. Tenho pensado alto nas conversas com a Mari e a Rubia, tenho pensado alto por emails com as meninas, no pronto-socorro com a Deise. Não esperem opiniões sensatas ou definitivas.

Estou em.

Fósseis

Eu devia estar falando sobre a raiva que eu tô sentindo, mas por algum pudor, pouca coragem e um tanto de sensatez, estou aqui, silenciosa, deixando o tempo passar.

15 May 2009

Pideite do post anterior

Hoje tudo foi mais tranquilo, apesar de alguma choradeira matinal e do meu coração estar partido em mil pedaços porque estamos sem nenhum período de convívio durante o dia, nessa fase de transição de horários e agendas.

Já já vai passar.

O monstro gosmento da Culpa tá hibernando hoje.

:(

14 May 2009

Culpa

Existe um monstro verde fidido e gosmento que habita em mim chamado Culpa. Esse monstrengo molengoso de vez em quando aparece e vai empapando o meu cabelo, derretendo minhas bochechas, irritando meus olhos, grudando meus dedos que se tornam impotentes frente qualquer ação, pesam minhas pernas, limitando qualquer fuga.

Culpa.

Culpa é parceirona do medo, e do medo à paralisia basta um tom a mais no volume das coisas... ou no nível de sensibilidade do dia.

Foi assim que eu passei o dia todo. Inerte e embebida desse monstrengo verde fidido e gosmento, que me fez chorar várias vezes, me deixou apavorada, me tornou o ser mais impotente do mundo às 8h da manhã.

Hoje foi o primeiro dia da Clarice numa nova escola. Um ensaio do meu novo horário de trabalho (ainda não estreamos, isso acontece ainda em alguns dias, por isso aproveitei essa brecha de tempo que temos para um plano B emergencial) e um novo esquema de vida que está no rascunho, mas já já estou aplicando, vocês bem me conhecem. Comigo não tem "vamos fazer", já fiz e tá pronto.

A Clarice chorou muito quando ficou na nova escola. E eu fiquei do outro lado da parede, ouvindo ela gritar "mamãe, mamãe!", lutando para não arrancá-la da escola dizendo "ok, tudo bem, vamos embora juntas", como faço geralmente quando ela está com medo ou eu mesma estou com medo.

A Culpa me consumiu hoje, ainda sabendo que eu estou fazendo o que é certo, que as dificuldades existem para serem superadas, que vai dar tudo certo, que vai dar tudo certo.

O choro dela ainda está nos meus ouvidos, as lágrimas ainda não secaram (as minhas).

Tudo que eu preciso ouvir? "Deh, é assim mesmo!". Porque é. Só que nem sempre dá pra bancar tudo. Às vezes a gente só quer mesmo é ouvir "é assim". E ter um tantinho de consolo. Humanamente necessário.

13 May 2009

E eu ainda vou assistir Star Trek no final de semana.

A vida tá foda. Cobrindo licença de colega de trabalho, sem um segundo de tempo pra escrever uma linha onde deveria, quatrocentas e cinqüenta e duas coisas na cabeça pra resolver, das quais eu esqueço de duzentas. E essa semana não tem terapia.

*

A Maria Mariana diz uma merda dessas e eu não to nem com vontade de comentar o assunto por aqui. Porque vocês já sabem o que eu penso e eu achei mesmo que ela disse uma grande merda.

*

A vontade que eu to de mandar duas pessoas tomarem no cú é tanta que eu escrevo até cú com acento que é pra ficar mais enfático mesmo.

*

Estou com um problemão pra resolver e ainda sou obrigada a ouvir a mim mesma dizendo que o que eu to sentindo não é tão grave assim. Seria pior. Mas quando a gente tem uma unha encravada não adianta dizer que a crise mundial é pior. Oi? Eu sei que sou egoísta.

*

Queria conseguir repetir a receita de cuscuz marroquino que eu fiz no batizado da Helô que tava de comer de joelhos. Peguei pouco, e sabe Deus quando eu vou conseguir repetir a mágica. Modéstia às favas, oi?

*

Aliás, adoro esse jeitinho que ta na moda na internet de falar assim, oi? Atóron.

*

Já falei que quero do fundo do meu coração mandar duas pessoas tomarem no cú? Oh vontade. Não sei se desse fatídico mês de maio elas escapam, não.

*

Os projetos que começaram a vingar em janeiro foram massacrados pela correria de abril-maio. Oh mêsinhos duros de viver. Ficaram na gaveta, coitadinhos, e eram tão bons. Iam até me trazer dindim. Espero que ainda tragam. Assim que eu tiver tempo de novo pra botar a mão na gaveta.

*

Quero ficar esse final de semana completamente calada e abraçada nos meus. Saudades dos meus. Talvez eles estejam com saudades de mim também ou já me esqueceram, vai saber. Quem manda estar tão ensandecida ultimamente?

*

Mah-rido disse que me aguentar é muito difícil. E eu quase acreditei que isso era uma declaração de amor. Não me engano, eu sei que não é.

*

Não mexe com amiga minha que eu fico mais puta que ela.

*

Eu tenho de fazer cara de paisagem pra tanta bobagem que eu ouço diariamente que deve ser por isso que acho inteligente o programa da Luciana Gimenez.

*

Tenho um anjo que fala comigo quando eu não consigo disfarçar que acredito nessa coisa toda de auto-ajuda, mentor espiritual e tudo mais. Isso que dá ficar na abstinência de uma semana de terapia. Tem acontecido muito ultimamente. E eu sei que é anjo, esquizofrênica é a mãe.

*

Minha vida ta tão complicadinha e cheia de nozinhos pra resolver que hoje a única coisa que me consolará é uma xícara de café. Bem feitim e deliciosim. Assistindo ao último episódio de House e o de Grey's Anatomy. Porque eu não vou conseguir dormir mesmo com tanto problema na cabeça e uma xícara de café.

*

Oh. Eu ia falar, mas não vou. Depois eu volto pra contar.

Ser mãe com, ser mãe em Deus...

Esses são os significados da palavra comadre e madrinha... desde domingo, "oficialmente", me tornei a madrinha da Heloísa, a filha querida dos nossos amigos queridos.

Eu teria muitas coisas a dizer sobre o batizado, sobre o acolhimento da Heloísa em uma religião, ainda que nós encaremos simbolicamente esse gesto - estamos oferecendo apenas uma das opções que a Helô encontrará pela vida para trilhar o seu caminho de fé, e tenho certeza de que estaremos ao seu lado em todas elas.

O domingo foi especial, por ser também a comemoração do Dia das Mães, e ganhar uma nova filha num dia como esse torna o coração da gente ainda mais colorido.

Eu poderia dizer muitas palavras para descrever o dia: fé, Deus, encontro, abraços, afeto, emoção... cada um saiu daqui com um jeito de descrevê-lo.

Mas a mim, só há uma palavra que possa resumir tudo: AMIZADE.

O batizado da Heloísa é o ápice (não o desfecho, vejam bem) de uma amizade que está sendo cultivada há alguns anos, que representa tanto em nossa vida.

Durante a cerimônia, ao lado do Gerson e da Rubia, com a Heloísa em nossos braços, a Clarice pulando e dançando em nossa frente, o Marcello me abraçando.... eu fico até sem palavras para resumir meus pensamentos, as minhas intenções de amor que eu dedico a todos nós.

Não só a nós que estávamos na cerimônia, mas a todos os meus amigos, os amigos dos dias úteis e inúteis, das coisas boas e ruins... companheirismo, parceria.

É um sentimento maior que o da família, é uma certeza de estar ali para pessoas que podem contar comigo no meio de uma noite fria e com chuva ou no feriadão na praia, no hospital e na festa, nos dias comemorativos e nos dias comuns.

E eu sabia que todas aquelas pessoas também estão ali por mim.

Foi um domingo de amizade e paz.

06 May 2009

Mais fofices da Cla

* Mamãe, mamãe, tô com dor na minha pensa!

- Oh, filhota, onde é a sua pensa? (depois da vagina mágica, tudo é possível)

* Aqui oh! (e apontou o ladinho da testa...)

Aqui em casa, quando alguém diz uma bobagem, a gente aponta a testa e diz "Pensa! Pensa!"

E a fofa da filhota adotou a palavra como parte da anatomia!

Me fala? Não é a coisa mais linda do mundo?

04 May 2009

Entre o número um e o dois...

Nessa semana, não vou brigar com ninguém. Não vou levantar minha voz, botar o dedo em riste. Não vou ter maus pensamentos ou desejos ruins. Vou preparar meu coração para um momento muito importante, que acontecerá no próximo domingo: o batizado da Heloísa.

Quero que meu coração esteja puro e livre para carregá-la no colo quando o padre molhar sua cabecinha com água benta. Quero fazer jus à honra que os seus pais nos proporcionaram, quando nos convidaram para termos esse papel em sua vida – o de padrinho e madrinha.

Quero estar com a minha alma leve, com meu espírito em contato com o divino, com o Universo, com Deus ou qualquer outro nome que tenha essa força, essa força inexplicável que nos faz vivos.

Quero celebrar com muita alegria esse momento, que vai além da comemoração do Dia das Mães, do almoço caprichado, da cerimônia, dos ritos religiosos, da água benta, da entrega de lembrancinhas, do vestido branco tão lindo e doce, da recepção das famílias, do encontro com os amigos, do momento festivo.

Quero celebrar com muita alegria ser a “Dinda da Helô”, a pessoa que vai estar na sua primeira festinha da escola, no corte do primeiro cachinho de cabelos, vai testemunhar seus primeiros passos, compartilhar as primeiras palavras, os primeiros desenhos, o primeiro Natal, o primeiro aniversário, o primeiro namorado, o primeiro filho – e o mais recente também.

Porque tenho o maior respeito pela responsabilidade de cultivar essa relação por toda a vida, que tem muitos começos (ainda mais quando vivemos a infância, tão plena de estreias) mas, principalmente, muitos meios... afinal, nossa vida é recheada de passagens, de mudanças, de fases, de transformações, daquilo que existe entre o número um e o dois (como diria Clarice Lispector), de intersecções às quais nem sempre (ou quase nunca) se participa com cobertura fotográfica, rituais religiosos ou testemunhas numerosas.

Quero estar também presente ao cotidiano, inexorável, dessa relação de Padrinhos e Afilhada, de amigos, de confidentes, de pessoas importantes, que vai perdurar por toda a vida. De tantos domingos anônimos, telefonemas gratuitos, datas comuns.

Nessa semana, eu só quero me preparar para estar pronta, sempre.

02 May 2009

"quem tem caminho reto nao se mete em vereda (...)" *

#por algum motivo inexplicavel esse trem ta sem acentos. Entao vai assim messs.

* Eu ouvi essa frase na ultima quinta-feira, entrevistando (ou me encantando) com a poeta e editora Dalila Teles Veras. Uma delicadeza de pessoa. Ah, como é bom encontrar delicadezas de pessoas. Sabe, daquelas que a tua alma fica alegrinha quando encontra? Oras, se a tua não fica, (por algum mistério da fé, os acentos voltaram), então vá procurar outro blog mais macho pra ler, que esse aqui é cheio de delicadezas.

E comentei com ela, essa delicadeza chamada Dalila, que só essa frase já pagou os últimos anos de terapia.

Como é bom a vida reta, né? Sabe aquelas que ninguém pode por um pelinho porque não paga suas contas?

Não que a minha tenha se tornado um exemplo (ou melhor, continua mau exemplo), mas eu cansei de tanta babaquice e botei pra correr tanta gente que me fazia mal, que tô desenhando em mim uma retidão de caráter, de personalidade, sei lá. Nada "delicado", como Dalila, mas descobri que é facim facim dizer "não" pra coisas que não te fazem bem.

Rindo, leitor analisado e maduro? Pois é. Eu descobri isso faz pouco tempo. E quando decidi bater meu pau psicológico na mesa, e falar meia dúzia de vaisefoderes, as coisas começaram a mudar. Pra muito melhor.

E assim vou indo, sem me meter mais em veredas... oh palavra linda, meu deus! E me deixando embrenhar por labirintos escolhidos, tirando e pondo volumes de nóias na estante, quando é pra resolver ou não.

(*) O texto de Dalila é uma coisa linda, que continua depois desse trecho, e eu vou tomar a liberdade de conclui-lo por aqui, porque você que continuou até o fim da leitura merece. Afinal, não é daquele leitorzim lá em cima que foi buscar blog macho pra gostar:

"quem tem caminho reto não se mete em vereda, aconselhava-me a mãe, o medo do sobressalto a escorrer do afeto, sem saber que as descobertas se revelam apenas no entrecruzar do caminho e a conquista à saída do labirinto.
os becos e seus inocentes nomes de santos não atendem à demanda de mercado, insignificantes artérias esquecidas, deixam que a cidade cresça ao seu redor e ficam ali, pulsantes e vingados, tênues sopros de resistência e muda contestação, negação ao gigantismo, sedução para o não cumprimento do conselho"
(in Becos, do livro Retratos Falhados de Dalila Teles Veras, da Ed. Escrituras)