Nessa semana, não vou brigar com ninguém. Não vou levantar minha voz, botar o dedo em riste. Não vou ter maus pensamentos ou desejos ruins. Vou preparar meu coração para um momento muito importante, que acontecerá no próximo domingo: o batizado da Heloísa.
Quero que meu coração esteja puro e livre para carregá-la no colo quando o padre molhar sua cabecinha com água benta. Quero fazer jus à honra que os seus pais nos proporcionaram, quando nos convidaram para termos esse papel em sua vida – o de padrinho e madrinha.
Quero estar com a minha alma leve, com meu espírito em contato com o divino, com o Universo, com Deus ou qualquer outro nome que tenha essa força, essa força inexplicável que nos faz vivos.
Quero celebrar com muita alegria esse momento, que vai além da comemoração do Dia das Mães, do almoço caprichado, da cerimônia, dos ritos religiosos, da água benta, da entrega de lembrancinhas, do vestido branco tão lindo e doce, da recepção das famílias, do encontro com os amigos, do momento festivo.
Quero celebrar com muita alegria ser a “Dinda da Helô”, a pessoa que vai estar na sua primeira festinha da escola, no corte do primeiro cachinho de cabelos, vai testemunhar seus primeiros passos, compartilhar as primeiras palavras, os primeiros desenhos, o primeiro Natal, o primeiro aniversário, o primeiro namorado, o primeiro filho – e o mais recente também.
Porque tenho o maior respeito pela responsabilidade de cultivar essa relação por toda a vida, que tem muitos começos (ainda mais quando vivemos a infância, tão plena de estreias) mas, principalmente, muitos meios... afinal, nossa vida é recheada de passagens, de mudanças, de fases, de transformações, daquilo que existe
entre o número um e o dois (como diria Clarice Lispector), de intersecções às quais nem sempre (ou quase nunca) se participa com cobertura fotográfica, rituais religiosos ou testemunhas numerosas.
Quero estar também presente ao cotidiano, inexorável, dessa relação de Padrinhos e Afilhada, de amigos, de confidentes, de pessoas importantes, que vai perdurar por toda a vida. De tantos domingos anônimos, telefonemas gratuitos, datas comuns.
Nessa semana, eu só quero me preparar para estar pronta, sempre.