A gente não sabe como é privilegiado por ter um bom convênio médico, amigos na área da saúde que possam te indicar os especialistas mais competentes até estar na sala de espera da rede pública.
Hoje, pela segunda vez, fui ao Instituto da Pele da Fundação Santo André para iniciar meu tratamento de psoríase pelo SUS. Não é a primeira vez que falo desse assunto no blog, mas hoje, a consulta propriamente dita (a anterior foi apenas "triagem" e pedido de exames) me levou à uma experiência digna de um episódio de ER.
Espera. Uma longa espera, de mais de 5 horas, senha nº 100 às 7h da manhã, pessoas de todos os jeitos e raças, embora com um semblante em comum: ali, todos tínhamos aquela consulta, aquela equipe como a alternativa possível. No meu caso, talvez não fosse a única ou a última, mas para os outros duzentos que ali esperavam, certamente era.
Fui para uma sala com um dos residentes. Nada de resolver meu caso. Esperamos o professor chegar. Quase uma hora depois, entrei numa sala, com mais ou menos 10 alunos e um professor, que rapidamente me fez todas as perguntas e, sem olhar para mim, explicou aos alunos as alternativas possíveis de tratamento, os riscos e benefícios e, se eu não soubesse o que tantas siglas significam, não saberia que talvez o medicamento comprometa meu fígado e cause anemia. Além de causar uma memória orgânica abortiva nos próximos três anos após o final do tratamento. Ali, eu não era uma pessoa. Eu era um caso.
Na volta para o consultório, tudo rápido e ligeiro, tão diferente da sala de espera: receituário em mãos, posologia e nenhuma prescrição de "ternura, carinho, afeto e atenção". Nem foi necessário, pois todas as minhas tentativas de vencer esse problema se esgotaram, para mim, a opção por esse medicamento é mesmo o fim de uma história. É um ultimato. O fator psicológico da história já foi superado, agora vamos ao clínico. Sem dor.
É hora de jogar pra ganhar, porque eu já cansei de perder.



