Existe um monstro verde fidido e gosmento que habita em mim chamado Culpa. Esse monstrengo molengoso de vez em quando aparece e vai empapando o meu cabelo, derretendo minhas bochechas, irritando meus olhos, grudando meus dedos que se tornam impotentes frente qualquer ação, pesam minhas pernas, limitando qualquer fuga.
Culpa.
Culpa é parceirona do medo, e do medo à paralisia basta um tom a mais no volume das coisas... ou no nível de sensibilidade do dia.
Foi assim que eu passei o dia todo. Inerte e embebida desse monstrengo verde fidido e gosmento, que me fez chorar várias vezes, me deixou apavorada, me tornou o ser mais impotente do mundo às 8h da manhã.
Hoje foi o primeiro dia da Clarice numa nova escola. Um ensaio do meu novo horário de trabalho (ainda não estreamos, isso acontece ainda em alguns dias, por isso aproveitei essa brecha de tempo que temos para um plano B emergencial) e um novo esquema de vida que está no rascunho, mas já já estou aplicando, vocês bem me conhecem. Comigo não tem "vamos fazer", já fiz e tá pronto.
A Clarice chorou muito quando ficou na nova escola. E eu fiquei do outro lado da parede, ouvindo ela gritar "mamãe, mamãe!", lutando para não arrancá-la da escola dizendo "ok, tudo bem, vamos embora juntas", como faço geralmente quando ela está com medo ou eu mesma estou com medo.
A Culpa me consumiu hoje, ainda sabendo que eu estou fazendo o que é certo, que as dificuldades existem para serem superadas, que vai dar tudo certo, que vai dar tudo certo.
O choro dela ainda está nos meus ouvidos, as lágrimas ainda não secaram (as minhas).
Tudo que eu preciso ouvir? "Deh, é assim mesmo!". Porque é. Só que nem sempre dá pra bancar tudo. Às vezes a gente só quer mesmo é ouvir "é assim". E ter um tantinho de consolo. Humanamente necessário.



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