Quando o outro sabe que estou com medo e me toma nos braços.
Quando o outro sente quanto me dói a idéia da perda e ousa – e fica um pouco mais.
Quando o outro vê minha fragilidade e não ri de mim nem se aproveita disso.
Quando o outro percebe que preciso de silêncio e não vai embora batendo a porta.
Quando o outro nota que me preocupo com ele e não se irrita.
Quando cometi um erro e o outro não levanta a voz.
Quando faço uma bobagem e o outro gosta um pouco mais de mim porque também sou boba tantas vezes.
Quando simplesmente estou cansada e o outro não acha que estou de mau humor ou que reclamo demais.
Quando estou de mau humor e o outro compreende sem fazer alarde.
Quando levanto de madrugada e ando pela casa... e o outro não vem atrás de mim dizendo: “Mas que chateação essa sua mania, volta pra cama!”
Quando peço um segundo drinque e o outro não diz: “Poxa, mais um?”
Quando digo uma coisa bem inadequada diante de outras pessoas e o outro não se aborrece comigo.
Quando perco a paciência perco a graça perco a compostura e o outro ainda assim me abraça.
Quando o outro – seja filho, amigo, amante, marido – não me considera sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceita quando não estou podendo ser nada disso.
Quando o outro entende que sou apenas uma pessoa, uma pessoa, uma pessoa...
Lya Luft



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