
Já não é de hoje, algumas situações importantes têm acontecido em minha vida. Coisas boas e bobas, pequenas, outras importantíssimas, daquelas que têm potencial de mudar pra sempre a minha "rota".
Fica cada dia mais claro, a cada sessão de terapia, a cada telefonema com a Mari, a cada vez que eu vou na varanda do quarto e olho pra árvore grandona que o vizinho tem, para mostrar os "passarinhos" pra minha filha quando ela chora, a cada email com a Lucia, a Fatima ou a Faby, amigas novinhas em folha que pelo jeito vieram pra ficar, a cada vez que eu pego a Helô no colo, fica mais e mais evidente a época de colheita, um grande fio invisível que liga as pessoas, as situações, os encontros.
Minha mãe diria que é a "mão de Deus", que toca e transforma nossas vidas. Fico sempre reticente quando falo de Deus por aqui. Não por causa da minha fé, que não tem nada de reticente. Tenho uma fé militante e sagitariana, acreditando que a vida dá certo, pra mim, pros meus amigos, para todos. Até quando o canoa vira, eu acredito que é possível fazer um esforço e enxergar algo de bom ali, mesmo ensopado e perdido no meio do rio. É que o meu Deus não é católico ou protestante, é um deusinho bem particular.
Minha crença se traduz de várias formas. Sou devota de alguns santos católicos, embora não frequente nenhuma igreja. Só quando preciso de um agradecimento solene, dou um jeito de entrar numa igreja bonita e agradecer. A Deus, ao Universo ou a essa inteligência/intuição que perpassa nossas consciências, que é mais forte que todos nós, que é palpável pra mim. Palpável no sentido de poder ser 'manipulada'(no bom sentido da palavra), que pode ser modelada com minhas mãos.
Tenho fé nessa inteligência/intuição. Na "mão de Deus" de minha mãe, um conceito que mudou tanto ao longo da minha vida, mas que nunca deixou de ter o mesmo sentido: um poder superior, no qual confio e me inspiro.
Cada vez fica mais claro que não basta ter fé, apenas. Esse "Deus", essa intuição fala conosco o tempo todo, mas nem sempre temos tempo de ouvi-la... ou estamos prontos pra isso. Mais ainda, não transformamos palavras e intenções em ação.
Aquelas situações de que falei no começo desse post tem tudo a ver com isso. Quantas vezes me disseram para que eu fizesse exatamente o que estou fazendo hoje - 'deixe ir', 'você devia aproveitar esse talento', 'não disperdiça isso ou aquilo', 'você é do bem'. Talvez, antes, não estivesse pronta para ouvir essas pessoas que passaram pela minha vida e disseram exatamente a mesma coisa tantas vezes. Hoje estou.
E me sinto totalmente sortuda e privilegiada por essas "vozes" (de Deus, minha mãe diria) continuarem a me inspirar diariamente. É incrível o número de pessoas bacanas que surgiram quando finalmente escolhi determinar um novo traço pra meu destino. Um destino de retidão, lembra? De não voltar atrás.
Se você que me lê ainda insiste em manter um pé em cada canoa, posso ser uma dessas vozes e te dizer com convicção: escolha uma e vá. É difícil no começo, é tão complicado saber que muita gente não vai gostar - com o tempo, você descobrirá que as pessoas que não gostam, no fundo, não importam de verdade, porque vão aparecer e acontecer outras pessoas (novas ou não) que realmente iluminam o novo caminho.
Hoje, consigo reconhecer quando também sou parte desse fio invisível na vida de outras pessoas - a Mari disse que fui um "anjo" ao dizer aquilo outro dia, mas acredito que fui apenas um instrumento para esse fluir, o tal do "rio abajo rio" (no qual confio tanto!) que transmite e recebe, que doa e merece, que vai e vem. Um enredo de amor, no sentido mais puro e simples da palavra.
É o toque da "mão de Deus".



2 comentários:
Oi, Debora, seu blog é um verdadeiro tesouro de utilidade pública. Traz sabedoria: seus textos belíssimos, mesmo quando você escreve apenas uma linha; convite à reflexão, enfim, sempre algo que a gente pode [e deve] aprender. Te admiro demais.
Você foi um anjo, sim!!!!
Hoje a médica reafirmou: se eu não tivesse levado a Bia naquele dia, no outro ela já ficaria internada imediatamente. Você é mãe e sabe o que isso significa.
Mas eu poderia não ter te ouvido, não ter te "obedecido", mas nossa amizade é de tanta confiança que não há espaço pra titubear. A Deh falou e eu ouvi. Em tantas outras situações eu falei e você me ouviu...
Ao ler teu texto, lembrei de uma música da minha adolescência e numa certa frase que dizia assim: A ABELHA FAZENDO O MEL VALE O TEMPO QUE NÃO VOOU". Eu simplesmente amo esta música e abundantemente (rsrsrsrs, brega!!!!): amo você.
um beijinho cheio de gratidão.
PS: aqui na arquibancada tem alguém que torce muito por você.
Post a Comment